Foto de divulgação do governo Malvino
Na Cúpula da América Latina e Caribe, o continente se juntou em apoio à Argentina na briga para controlar as Ilhas Malvinas ou, pelo menos, impedir que os britânicos retirem petróleo do mar perto do território.
Como brasileiro, à primeira vista, parece fácil dar razão ao casal presidencial. Como defender que a Grã-Bretanha mantenha uma colônia tão longe de casa, tão perto dos argentinos, em pleno século 21?
Aqui em Londres, governo, estudiosos e boa parte do povo vê a postura de Buenos Aires como arrogante e perigosa e têm argumentos igualmente fortes para bater o pé sobre as ilhas que eles chamam de "Falklands". Resolvi escrever este post para fazer o contraponto, mostrar o jeito "britânico" de lidar com o assunto.
Primeiramente, os líderes daqui têm uma questão moral com a população em não afrouxar a guarda. Afinal, em 1982, quando a primeira-ministra (ou a dama de ferro, se preferirem) Margareth Thatcher mandou a marinha real defender as Malvinas de uma invasão argentina, 285 britânicos morreram (do outro lado, foram 649 mortes). Ou seja, pular do barco depois do custo humano pegaria mal.
Desde a guerra, o governo britânico segue a linha de que só deixará as ilhas se o povo de lá pedir. E esse é o segundo fator. Os malvinos, em geral, não se veem como argentinos, falam inglês e têm pavor só de pensar que um dia as ilhas possam ser governadas pela Casa Rosada. Tem também o fato de que, depois da guerra, a Argentina dificultou a vida do povo da ilha, que para voar ao exterior precisa ir até o Chile. A postura do parlamento local tem sido: "não queremos deixar de ser colônia britânica para ser colônia argentina".
A revista "Economist", que é feita em Londres, mas se vende como um veículo internacional, lembra que em 1833, de fato, os britânicos expulsaram um grupo de argentinos da ilha. Uma atitude claramente imperialista. Não fosse por isso, quem sabe o território teria também um grupo pró-Argentina?
Mas a revista afirma que, "se é para voltar o relógio a 1833, o sul da Argentina seria um país independente sob liderança indígena e o estado do Acre seria devolvido à Bolívia".
O artigo diz que se o governo argentino fosse inteligente, estimularia a produção britânica de petróleo nas Malvinas e se tornaria o maior porto continental a oferecer apoio logístico às atividades, lucrando com a situação.
Se é que realmente existe uma grande reserva de petróleo a ser explorada, os recursos poderiam ajudar as ilhas a caminhar com as próprias pernas, pedindo independência em relação à Grã-Bretanha. Londres não ofereceria resistência.
Por trás dos argumentos dos dois países, obviamente pairam os interesses políticos e econômicos. Os britânicos não querem perder a chance de achar petróleo. O governo argentino, com a popularidade no chão, infla uma chama nacionalista, num tema que une o país como poucos.
Improvável que algum dos lados declare guerra. Dificilmente a situação irá mudar num futuro próximo. É só retórica.
Grande abraço a todos.rternomundo) |
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